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História

Escudos - Londrina Esporte Clube - História

1956 - 1965



José Luciano de Andrade
José Luciano de Andrade e
Wallid Kauss
Como Tudo começou

Luciano, antes de mudar-se para Londrina, vivia em Rolândia, onde fundou juntamente com seu irmão Luiz, um dos primeiros clubes profissionais do norte do Paraná: O Nacional. Quando soube que o time do Rolândia enfrentaria o Vasco da Gama, ele não vacilou. Tinha que ver este jogo de qualqer maneira. O Nacional venceu por 3 x 2.
Quando retornava a Londrina, ao lado do médico Wallid Kauss, surgiu a discussão: "Se Rolândia pode ter uma equipe capaz de enfrentar o Vasco em condições de igualdade, proque não poderia acontecer o mesmo em Londrina?"

A idéia era fascinante e merecia ser melhor debatida. Para isso, nada melhor que uma mesa de bar. Foram a um restaurante. Não poderiam ter feito escolha mais feliz, pois tão logo ficou sabendo do assunto, o proprietário do estabelecimento, Pietro Calloni, italiano fanático por futebol, juntou-se ao médico alemão e ao advogado mulato. Alguns dias depois, a quarta cadeira na mesa foi ocupada pelo gerente da agência do Banco do Brasil, Paulo Schmidt - um avalista de peso - que sugeriu o nome Londrina Futebol Clube, logo adotado.

A idéia era tão boa que pelo menos duas mesas do restaurante tinham de ser reservadas para aqueles malucos que estavam fundando um clube de futebol: o juiz Ismael Dornelles de Freitas, o médico Osvaldo Palhares, o professor Silveira Santos, Camilo Simões, Fioravante Bordin, Nicola Pagan, Algacir Penteado e Francisco Arrabal.

Era preciso abrir o caminho para o progresso

E em Londrina, a história parecia apressada. Cerca de 25 times estavam registrados na Liga Regional de Futebol (amador) quando, numa quinta-feira, um número considerado de desportistas compareceu ao salão nobre do Hotel Monções para eleger a primeira diretoria do novo clube. O prefeito Antonio Fernandes Sobrinho e o secretário da Prefeitura, Mário Cunha, também estavam presentes. Depois de algumas horas de debates, o estatuto da agremiação e a composição da primeira diretoria foram aprovados. A Ata de Fundação foi redigida por Paulo Carvalho Braga e seu texto era, antes de tudo, formal, ou não seria uma Loa Ata: "Aos cinco dias do mês de abril de mil novecentos e cinqüenta e seis, às vinte horas, compareceram os abaixos assinados, os quais, de comum acordo deliberaram fundar um clube de futebol profissional e demais esportes, o qual recebeu o nome de Londrina Esporte Clube..."

A composição da primeira diretoria apresentada por Wallid Kauss e eleita por aclamação, tinha nada menos que cinco "presidente de honra" (que normalmente ficam muito honrados com o cargo mais pouco apitam): o prefeito Antonio Fernandes Sobrinho, o juiz Ismael Dorneles de Freitas, Julio Fuganti, Leônidas Rezende e Pietro Calloni.

A diretoria executiva: presidente - Fioravante Bordim; primeiro vice-presidente - Saulo de Val Esteves de Almeida; segundo vice - Ângelo Zambrim; terceiro vice - Hermino Vitorelli; quarto vice - Camilo Simôes; quinto vice - Celso Garcia Cid; primeiro secretário - José Antonio de Queiroz; segundo secretário - Hernani Leite Mendes; tesoureiro - Paulo Schmidt; primeiro tesoureiro - Geraldo Durães; segundo tesoureiro - Joaquim Lopes Alho; oradores - Ivan Luz e Doan Álvares Gomes; conselho fiscal - Arlindo Fuganti, Hakira Nakanishi, Orlando Mayrink Góes, Paulo Makiolki, Wallid Kauss, Manoel Alho da Silva, Nelson Maculan, Raimundo Durães, Olavo Santiago, Luiz Moressi, Ernani Fontana, Osvaldo Palhares, Abrahão Andery, Carlos Antonio Franchello, Renato Bueno, Luiz Carlos Subit, Paulo Hirata, Mário Cunha, Wilfredo de Moraes Vasconcelos, Saburo Nakatsukasa, Paulo Marchesini, Wilton Coutinho, Dioli Lopes Busse, Jacob Bartholomeu Minatti, Uadi Chaiben, Raul Zanoni, Jaime Freire Belém, Anuar Denis, Arnaldo Nunes da Costa e Luiz Gonzaga Bertoni.

Naquela mesma noite ocorreu também a primeira eleição de um técnico de time de futebol, que se tem notícia: isto mesmo, José Luciano de Andrade foi o escolhido (ele também acumularia o cargo de supervisor). Mas o clube que nascia não pensava em se restringir ao futebol e foi eleito também um diretor social: o então promotor Antonio de Silveira Santos.

Primeiro time do LEC - 1956
O primeiro time: Domingos, Inácio, Jorge Davi, Zico,
Paulinho, Marinho, Alaor, Procópio, Jaime, Gino e Rubinho.
Após ser lavrada a ata de fundação do novo clube, começava a parte mais difícil que seria arrecadar dinheiro, é criado um livro de ouro que foi aberto pelo Comendador Julio Fungati com Cr$ 50.000, o total arrecadado foi em torno de Cr$ 800.000; a próxima tarefa seria conseguir jogadores, e para isso foram realizadas várias peneiradas com jogadores amadores locais, de onde surgiram: Rubinho, Nery, Valter, Pozzi, Zolan, Comida, Ioiô, Gino, Pinduca, Zezinho, Gatão e Lelé (que era de Londrina porém jogava no Britânia de Curitiba).

Não era o suficiente, então invadiram o mercado do Rio de Janeiro e trouxeram do Flamengo: Marinho Rodrigues, Rubens Cortez, Jorge Paulino, Paulinho, Alaor, Mauricio, Inácio, Tião e Jorge Davi, do Botafogo vieram Abel e Jaime, e de outros clubes cariocas, Osvado, Domingos, Jorge Carlos, Carvalho e Jota Alves.

No futebol Paulista foram até a Portuguesa Desportos e conseguiram trazer Mané, Valter II, Armandinho e depois Zé Carlos, bem como outros do interior. Estava assim formado o novo clube.

Em reunião extraordinária na sede da Federação Paranaense em Curitiba no dia 25 de junho de 1956, através do Boletim Oficial 75/56 - Resolução Nº 10 foi concedido o registro do Londrina F.C.

O depoimento de David dos Santos Filho é muito importante para esclarecer uma divergência com relação ao primeiro presidente do Londrina. O Fioravante Bordin foi eleito para o cargo, mas ele não era uma pessoa muito ligada ao futebol e afastou-se logo, alegando que tinha muitos negócios particulares, que não podia dedicar-se ao clube, Camilo Simões então assumiu o cargo.

O primeiro jogo

Londrina Esporte Clube - Primeira formação
Em pé: Marinho, Inácio, Zico, Bulau, Paulinho e Domingos.
Agachado: Alaor, Jaime, Maurício, Zezinho e Rubinho.
O Londrina fez seu primeiro jogo treino com a Portuguesa Londrinense, um dos melhores times amadores da cidade, e venceu por 4 a 1. Domingo, 24 de junho de 1956. A multidão interrompe com aplausos quando sobre o verde do gramado, surge o azul e branco da camisa nunca usada. É o Londrina entrando em campo pela primeira vez. A massa de torcedores não iria poder, naquele primeiro jogo, festejar a vitória. Mas não saiu inteiramente frustrada, pois também não amargou a derrota. O jogo terminaria empatado em 1 a 1. Coube ao ponta direita Alaor, marcar o primeiro gol do Londrina. O amistoso foi contra o Corinthians de Presidente Prudente-SP.

O primeiro torneio foi um quadrangular promovido pela Folha de Londrina que contou com o Nacional de Rolândia, a Sociedade Esportiva Uraí e a Portuguesa de Desportos de São Paulo. A Lusa paulista foi a campeã, ganhando os três jogos. O Londrina ficou em segundo.

O primeiro título

Londrina foi campeão do Torneio da Amizade, organizado pela sub-sede da FPF, em 1957. O torneio teve as participações do Londrina, Guarany (Cambé), Camercial de Cornélio, Nacional de Rolândia, Mandaguari, Arapongas e Maringá e foi precursor do Campeonato Norte-Paranaense. O Londrina foi campeão ganhando 9 dos 12 jogos disputados. Empatou um e perdeu outros dois.

Carlos Antonio Franchello
Carlos Antonio Franchello,
presidente por mais tempo.
Com os anos

...novos presidentes foram eleitos: Manoel Domenico, um prospero comerciante, substituiu Camilo Simões. Depois foram eleitos Juvenal Pietraróia, Olavo Santiago e Sílvio Bussadori. Aí então entrou em cena aquele que seria o mais popular presidente do Londrina em toda a história do clube. Um baixinho gozador, atrevido, chamado Carlos Antonio Franchello, que ocupou o cargo de 1959 a 1969. Com Franchello, o time passou a se chamar Londrina Futebol e Regatas e conquistou o seu primeiro título estadual.

Em 1959 - Vice Campeão Paranaense

O Londrina sagrou-se campeão do Torneio Início do Campeonato Norte-Paranaense e ganhou o direito de participar da primeira decisão Norte x Sul. No certame do Norte, o Londrina foi o campeão com uma campanha de 14 jogos, 11 vitórias, 2 empates e uma derrota. A decisão estadual foi contra o Coritiba, no começo de 1960. No primeiro jogo, em Curitiba (7 de fevereiro), o Coritiba ganhou por 3 a 0. No segundo jogo, em Londrina, o Coritiba confirmou o favoritismo e venceu por 2 a 1. Neste jogo foi registrada a maior renda do Paraná: 792.310 cruzeiros. O curioso é que o Coritiba não aceitou a divisão de renda. Exigiu uma cota fixa de 100 mil pra jogar em Londrina. A direção do Coxa não acreditou no potencial da agitada torcida londrinense.




Sede campestre nasceu na Cadetral

Sede Campestre do Londrina Esporte Clube
Visão do parque aquático da sede campestre.
A direção do Londrina Futebol Clube tinha um sonho: conseguir uma área de terras para contruir um parque social. O movimento começou em 1959 e tudo foi garantido no ano seguinte, durante a celebração da missa especial de aniversário da cidade.
Enquanto o saudoso Dom Geraldo Fernandes celebrava a missa, o presidente Carlos Antonio Franchello arrumou um jeito de ficar ao lado do governador Moíses Lupion, convidado especial para a solenidade, e a conversa foi curta e grossa.
Falando baixinho para não atrapalhar o ato religioso, Franchello conseguiu comover o governandor, que deu o sim para a doação.
Como o governo não podia doar um terreno a um clube que só praticava o futebol, Franchello se encarregou logo de transformar o Londrina em Futebol e Regatas. A burocracia foi tanta que, mesmo com o sim de Lupion, o Londrina só foi dono da área doada em ano depois, em ato assinado pelo novo governador, Ney Braga.

Campeão Paranaense - 1962
Campeões de 62 com o prefeito e o bispo Dom
Geraldo Fernandes.
O primeiro título Paranaense

Para chegar ao triangular que decidiu o título do Campeonato Paranaense de 1962, o Londrina inicialmente precisou vencer a Série Norte. A decisão desta estapa foi em Apucarana, que possuía uma excelente equipe.

A primeira partida da "melhor de quatro pontos" foi em Apucarana mesmo e terminou empatado em 1 a 1. Depois, no dia 3 de março de 1963, o Apucarana veio ao VGD e surpreendeu o time orientado pelo técnico Florial Garro, 2 a 1. Aureo e Santana marcaram para o time de Apucarana e Gauchinho fez o gol do Londrina. No dia 10 de março, de acordo com o planejamento da Federação, foi realizado a terceira partida em campo neutro: no Belfort Duarte. Apesar do Apucarana jogar apenas pelo empate, o Londrina entrou em campo tranquilo e venceu por 3 a 2.

Garantido o título do Norte Novo, o Londrina disputou a fase final do campeonato com o Coritiba (campeão do Sul) e Cambaraense (campeão do Norte Velho). A torcida mais uma vez sofreria um susto no início da decisão. No dia 7 de abril, o Londrina empatou em casa com a Cambaraense, tida como a equipe mais fraca das três que lutavam pelo caneco. O resultado final, de um jogo emocionante, foi 3 x 3.
Mas o Coritiba também tropeçou no obstáculo menosprezado, e só empatou com a Cambaraense. Assim quando veio jogar no VGD no dia 10 de abril, o Coritiba sabia que se tratava praticamente de uma decisão antecipada do título. Quem vencesse empurraria a cabeça do outro na lama. Foi mais fácil do que se esperava: Londrina 4 x 2. A partida marcada contra o mesmo Coritiba, para o dia 21, era a oportunidade do Londrina conquistar o título antecipadamente, sem depender do resultado do jogo final em Cambará. E quem esperava um Londrina recuado, espantou-se. Desde o início o time procurou o gol e o resultado final foi a vitória do Londrina novamente por 4 x 2. O campo do estádio do Coritiba virou palco para a festa alvi-celeste.

Gauchinho, maior artilheiro do Londrina em todos os tempos
Gauchinho, comandou o Londrina no título de 1962.
Maior artilheiro na história do Londrina com 217 gols.

1966 - 1975

Londrina, Paraná, só Londrina,
muda camisa, volta a camisa antiga.
Houve um período em que nosso
futebol andou mal das pernas.
De bola e de dinheiro.
Mas o Tubarão fez tudo voltar aos
bons tempos de glórias.

O que ninguém imaginava, que após o título de 1962, o Londrina passaria 18 anos e 7 meses e oito dias sem conquistar outro título estadual. O clube tinha algumas tempestades para cruzar.
A primeira foi a divisão da sua torcida. O São Paulo, tradicional time amador de Londrina, conhecido como "o mais querido", foi profissionalizado por um grupo de diretores dissidentes do Londrina Futebol e Regatas, logo após a eleição de 1964. Duas chapas foram apresentadas. Um representava o grupo que tinha a frente o "eterno" Carlos Antonio Franchello, Olavo Santiago e Silvio Bussadori. A outra, contava com Pedro Assunção, Nicola Pagan e Otávio Pedrialli. A chapa de Franchello venceu por 3 votos de diferença.

Por divergirem com a política administrativa de Franchello, os integrantes da chapa derrotada decidiram deixar o Londrina de lado e transformar o São Paulo no segundo time profissional da cidade. Formado basicamente por pratas da casa, o São Paulo chegou a surpreender os torcedores do Londrina em "derbys" sempre muito disputados e que normalmente proporcionava boas arrecadações. Mesmo assim, enfrentando terríveis dificuldades financeiras, o São Paulo foi obrigado a mudar de nome, passando a ser chamado de Paraná, a partir de 68.

União do Londrina Futebol e Regatas com Paraná Esporte Clube
A foto registra reunião no gabinete do Prefeito
Dalton Paranaguá entre as duas diretorias, oficializado a união.
O Londrina, por sua vez, também não repetia as atuações maravilhosas de alguns anos atrás, sucumbindo diante do maior potencial dos clubes da capital. Diante dessas dificuldades, dirigentes e torcedores dos dois clubes começaram a admitir a idéia de uma união como forma de solucionar o problema. Deveria surgir um novo time, mais forte, apoiado pelas torcidas unificadas, certamente voltaria a levar o futebol da cidade a posição de destaque, acreditava a maioria dos dirigentes. Também existiam aqueles que discordavam da idéia. O presidente Franchello, por exemplo, não admitia ver mudada as cores "alvi-celeste" para outra qualquer.

O prefeito Dalton Paranaguá convovou os dirigentes dos dois clubes para uma reunião no dia 03 de janeiro de 1970. Houve muita discussão, mas a união não se concretizou. Onze dias depois, porém, os dirigentes voltaram a reunir-se e em duas horas e meia de conversa ficou acertada difinitivamente: os clubes estavam unidos. O nome foi alterado para Londrina Esporte Clube com suas camisas vermelha e branca. O presidente Franchello, desgostoso com a decisão, abandonou seus antigos companheiros, declarando que iria esperar que "as cores antigas voltassem um dia..."

David dos Santos foi o primeiro presidente após a união, foi eleito em rápida reunião do Conselho Deliberativo, em outubro de 1970. Com David na presidência, aproximaram-se mais clube dirigentes como Mauro Viotto, Ferando Agudo Romão e Jacy Scaff que acabariam sendo os responsáveis pelos destinos do LEC na nova década. Após David dos Santos Filho, o advogado Mauro Viotto, assumiu o cargo de presidente e ficou até outubro de 1972, num ano não muito favorável para o time de camisas vermelhas e brancas. Mas, as cores tradicionais, voltariam com a saída de Viotto, e a surpreendente volta de Franchello.

Muita coisa havia mudado no clube, no entanto Franchello deixou a presidência do clube antes mesmo do final do seu mandato, assumindo o vice-presidente Fernando Agudo Romão. "Quando entramos para a presidência o clube contava apenas com seis ou sete jogadores. E devia aproximadamente 400 mil cruzeiros. A solução que encotramos foi tentar a revelação de jogadores através de equipes menores.

E do juvenil do Londrina, surgiram diversos jogadores que foram aproveitados no profissional, assim como outros que foram vendidos para equilíbrio do orçamento. Durante em que foi presidente do LEC, Agudo Romão conseguiu entre aquisições baratas e revelações, cerca de 26 jogadores. Além disso, o departamento de patrimônio passou de 2800 oara 9 mil associados.

O mandato de Romão encerrou-se em outubro de 1975 e o Londrina viveu uma das mais agitadas eleições. Um colegiado chegou a dirigir o clube até dezembro, quando então foi apresentado uma chapa oficial, de consenso, com Jacy Scaff na presidência.

Trabalho de Base

Trabalho de Base - LEC
Jogador de base do LEC.
A verdadeira consciência da necessidade de um trabalho de base só surgiu realmente no Londrina no início do ano. No dia 22 de abril de 1975, o Departamento Amador do clube divulgou oficialmente o começo de um trabalho que, surpreendentemente, já apresentou resultados positivos: jogadores das categorias maiores da escolinha foram aproveitados nos treinos do time profissional do dia 23 de julho.

"A escolinha é para nós uma necessidade, pois o campo de ação é muito elástico em nossa região e, num futuro próximo, teremos jogadores qie compensarão o trabalho que ora iniciamos - declarou José Rossi, diretor do departamento."

Mesmo não possuíndo um estrutura à altura, os departamentos responsáveis pelas categorias não profissionais do Londrina já apresentaram um bom trabalho. Além do goleiro Ado, que esteve no México defendendo a seleção Brasileira de 1970, o Londrina já revelou outros bons jogadores: Neneca, Mazinho, Tatá, Jairzão, Zé Krol, Toquinho, João Batista, Edmar, Cícero, Zé Miguel, Carlos César, João Vitor, Robertinho, Luisinho, Mirandinha e Pirrela.
Londrina Esporte Clube - 1967
Londrina, em outubro de 1967. Com Ado no gol.

1976 - 1979



Um grande Estádio para um grande time

Inauguração do Estádio do Café - 1976
Londrina e Flamengo, antes do jogo que inaugurou o Estádio do Café.
Os contatos feitos por Fernando Agudo Romão, então presidente do clube no ano de 1974, possibilitaram ao LEC disputar o Campeonato brasileiro de 1976. O Estádio do Café foi construído as pressas para o Londrina entrar no grupo de elite do futebol brasileiro, o Londrina, comandado por Jacy Scaff, fez grandes contratações. Trouxe Armando Renganeschi para o técnico e jogadores como Pontes, Arenghi, Paraná, Sérgio Américo, Carlos Alberto Garcia e Marco Antonio para garantir a alegria da nossa torcida no novo estádio.
A inauguração do Estádio do Café, dia 22 de agosto de 1976, levou cerca de 50 mil pessoas ao jogo Londrina x Flamengo, gerando uma renda recorde de Cr$ 857.720,00. Uma apresentação da Banda dos Fuzileiros Navais do Rio de Janeiro foi a grande atração preliminar.

Na bola, Londrina e Flamengo fizeram um belo jogo e coube a Paraná do Londrina, cobrando pênalti, marcar o primeiro gol do novo estádio. Junior, aquele mesmo da Seleção Brasileira, fez o gol de empate e o jogo terminou em 1 a 1.
Afonso Vitor de Oliveira foi o árbitro, auxiliado por Célio Laudelino Silva e Tancler Pavani.
O Londrina jogou com Paulo Rogério, Odair (Milton), Pontes, Arenghi e Fio; Freyer (Toquinho) e Sergio Américo, Paraná, Carlos Alberto Garcia, Willian (Anderson) e Caldeira (Marco Antonio).

Três dias depois da inauguração oficial, o Estádio do Café viveu outra festa, a da inauguração do seu sistema de iluminação. Jogaram Londrina e Corinthians Paulista. O Londrina ganhou por 1 a 0, gol de Carlos Alberto Garcia, aos seis minutos do segundo tempo. Antes do jogo o espetáculo ficou por conta de um show pirotécnico. A arbitragem foi de Célio Silva, auxiliado por Afonso Vitor de Oliveira e Cícero Salata. A renda de 463.070,00 cruzeiros para um público de 22.181 pagantes.

A estréia no nacional de 1976

Londrina Esporte Clube - 1976
Lauro, Paulo Rogério, Arenghi, Raimundo, Dirceu e Fio.
Paraná, Carlos Alberto Garcia, Anderson, Bosco e Marco.
Foi a realização do grande sonho de sua torcida. Saiu do VGD para o Estádio do Café pensando numa grande campanha. Contratou jogadores de reconhecida competência e foi à luta. De cara, o Diabo. O Atlético Paranaense, tradicional adversário do Londrina em jogos do Paranaense, foi o primeiro adversário em casa, derrota de 3 a 0. Depois veio o São Paulo Futebol Clube de Pedro Rocha e companhia, o resultado foi um empate em 0 a 0. Na primeira viagem, o LEC encontrou outro estreante, o Confiança de Aracajú e perdeu por 1 a 0. Depois veio o Cruzeiro de Belo Horizonte e houve empate em 1 a 1. A primeira vitória veio somente na quinta rodada, quando o LEC bateu o Botafogo de Ribeirão Preto, no Café, por 1 a 0. Os três últimos jogos da fase de classificação foram fora de casa e o LEC jogou contra o Coritiba e perdeu por 1 a 0, ganhou do Uberaba de 2 a 1 e empatou com a Portuguesa de Desportos por 1 a 1. Na segunda fase, no grupo dos perdedores, o Londrina perdeu para o Cruzeiro (1 x 0), Uberaba (2 x 1) e Portuguesa (3 a 1) e empatou com o Confiança (1 a 1).

Foi uma campanha que não atingiu a expectativa da grande torcida norte-paranaense. Mas ficaram as imagens da festa da inauguração do Estádio do Café . Mas se houve alguma injustiça na inclusão do Londrina no Campeonato Nacional de 76, a verdade é que no ano seguinte o time "limpou a barra". O louco verão de 77/78 vai ficar gravado por muito tempo na cabeça dos torcedores que puderam experimentar as emoções de uma campanha irrepreensível que levou o Londrina, a cidade, a sonhar com a vaga na Taça Libertadores da América.

Carlos Alberto Garcia
Carlos Alberto Garcia, 89 gols pelo Londrina.
A boa campanha no estadual de 76 e a brilhante atuação no Nacional de 77 deram à história do Londrina um outro ídolo, de carisma só comparável ao de Gauchinho. Era Carlos Alberto Garcia, um goleador com jeito de menino bonzinho. E se em anos anteriores, o futebol londrinense, mesmo sem qualquer estrutura de base, de um trabalho sério de formação de jogadores, havia conseguido revelar craques como Ado (tri-campeão em 70 no México), Lidu (vendido ao Corinthians), Mazinho, Tatá e Neneca, a partir do momento em que o Estádio do Café foi inaugurado, passou a ser o palco desta longa peça de teatro que é a vida do Londrina e também novo endereço da TOL - primeira Torcida Organizada do Londrina, fundada naquele mesmo ano. O presidente Jacy Scaff, investiu dinheiro na Escolinha e bons jogadores passaram a ser descobertos, principalmente, pelos olhos de Aliomar Mansano, o Ticão, e lapidados ainda como juvenis e juniores para suprir a necessidade da equipe principal. Pelo menos dois talentos respeitados a nível nacional, surgiram no futebol profissional depois de pisarem a grama do novo estádio. Everton, que foi destaque no Atlético Mineiro e Marinho, vendido ao Flamengo, que chegou a Seleção Brasileira.


Em 77, quarto colocado

Carlos Antonio Franchello voltou a presidência do Londrina. A velha raposa voltava com seus discursos antigos ("Até o Céu é Azul e Branco"), mas trazia consigo para a diretoria muitas caras novas em se tratando de administração do único time profissional da cidade: Abílio Wolff Junior, Jair Poeiras Assunção, Luiz Antonio de Souza Castro, Ciro Xavier, Gaspar Novelli Filho, Aleckcey Kireef, João Luzia de Moraes, Mário Messias de Carvalho, Carlos Roberto Ciccillio, Sebastião Alves de Aguiar, Alexandre Wihbi, Ederaldo Soares, José Alves Padilha, Luiz Carlos Miguita, Osmar Sampaio, Wilson Campos, Plinio Montemor, Paulo Mendes Castelo Branco, Naim Libos, Alex Soares de Almeida, José Luiz Valeriano, Luiz Carlos Caraco, Luiz Martins e Rocco Scicchitano.
O treinador: o experiente argentino Armando Renganeschi. O time: Paulo Rogério, Arenghi, Dirceu, Carlos Alberto Garcia e Nenê - que já haviam participado da campanha anterior - juntaram-se aos reforços vindos do futebol paulista, Carlos e Xaxá, e a craques revelados por clubes da região como Zé Roberto, Ademar e Brandão. Havia ainda as opões de dois juvenis que estavam "comendo a bola" nos treinos: Everton e Nivaldo.

iLondrina Esporte Clube - 1977
Paulo Rogério, Carlos, Arenghi, Dirceu, Zé Roberto e Claudinho
Xaxá, Garcia, Brandão, Ademar e Nenê
Uma grande equipe, que inusitadamente fracassou na primeira fase do Campeonato Nacional e ficou à beira da desclassificação na repescagem. Para conseguir ingresso na fase mais importante da competição, o Londrina teria de buscar, nas últimas rodadas, quatro pontos em Goiânia, onde enfrentaria o Vila Nova e o Goiás. Parecia tarefa impossível. Antes do embarque, o diretor de futebol Sebastião Aguiar declarou no aeroporto que "nenhum dirigente acompanharia a delegação porque este time não tem vergonha na cara". Apenas o gerente administrativo, Ary Martha iria com a equipe.

Um gol de pênalti, sofrido por Everton e cobrado por Xaxá, garantiu a vitória sobre o Vila. Faltava o Goiás, adversário tido como mais difícil ainda. O moderno Estádio Serra Dourada não recebia um bom público. Caía sobre Goiânia uma chuvinha fria. Logo aos 4 minutos, o endiabrado ponta Zezé ganha uma jogada na esquerda e cruza na medida para Rinaldo desviar de Paulo Rogério: Goiás 1 a 0. O Londrina vai em busca do empate e consegue. Xaxá cruza e Brandão, implacável confere: 1 a 1. No segundo tempo, aos 26 minutos, Nenê ganha de dois adversários e cruza. Garcia ajeita para Brandão: 2 a 1. O Londrina "catimbou" e segurou o resultado. Garantiu a vaga entre os grandes. O que parecia impossível aconteceu. Na avenida Higienópolis, em Londrina, festa até de madrugada.

Mas o melhor ainda estava por vir. Incluído numa chave que tinha nada menos que Santos, Corinthians, Vasco da Gama, Flamengo e Caxias, o Londrina, começou no dia 29 de janeiro, contra o Caxias (2 x 0, Garcia e Brandão) a sua louca disparada rumo às manchetes esportivas dos grandes jornais do país.

Éverton, comemorando gol no Brasileiro 77
Éverton, comemorando um gol na campanha de 77.
O Flamengo de Zico e Adílio, foi derrotado no Estádio do Café, numa quarta-feira (1 x 0, Zé Roberto). No domingo, o adversário foi o Santos, no Pacaembu. Londrina 2 x 1, gols de Carlos Alberto Garcia e Nivaldo. No final do jogo, a inconformada torcida santista invadiu o campo e tentou bater nos jogadores, no técnico, na diretoria. Em Londrina, mais festa. Quarta-feira, dia 15 de fevereiro. Estádio do Café: Carlos Alberto Garcia, de cabeça, cumprimenta o Corinthians, que um dia desprezou seu futebol. Londrina 1 x 0. Depois viria o teste mais difícil. Domingo, no Estádio São Januário - lotado - clima de "guerra". Paulo Rogério cumpre suspensão e ninguém sabe como se comportará o reserva Mauro. Antes do jogo, Franchello, a esta altura uma figura já conhecida pela imprensa dos grandes centros, agita como pode. Em uma entrevista afirma que o Londrina vai vencer para não decepecionar, principalmente, os dois mil londrinenses presentes ao estádio. O repórter procura e não encontra este grupo de torcedores: - Cadê esta torcida que o senhor se refere, presidente? Franchello não perdia uma: - Você não estavendo aquele pessoal ali de alvinegro gritanto "Basco!... Basco!..."; pois é tudo gente nossa, disfarçada...

O goleiro Mauro pega tudo. O artilheiro Roberto Dinamite se desespera. O Vasco pressiona. Mas Xaxá rouba uma bola no meio de campo, toca para Brandão que, com categoria, aproveitando-se da saída do goleiro, faz 1 x 0. E não foi só: Carlos Alberto Garcia, 2 x 0. Em Londrina é domingo de Carnaval. O Londrina estava garantido no quadrangular final que decidiria o título brasileiro.

O jogo contra o Atlético Mineiro, no Mineirão, foi considerado o melhor jogo do Campeonato Brasileiro. O Atlético fez 2 x 0, mas o Londrina reagiu. Garcia fez o primeiro, Brandão fez o segundo. Mas o Atlético tinha o artilheiro Reinaldo em tarde inspiradíssima: 4 x 2. Quando retornaram de Minas, os jogadores foram recebidos com festa no aeroporto.

No Estádio do Café, em outra excelente partida, Londrina e Atlético empataram em 2 a 2 (Brandão e Ademar, fizeram os gols londrinenses). Terminava ai o louco sonho de verão.

A boa campanha de 1979

O Londrina parecia que iria repetir a façanha de 77. O time foi bem na primeira fase, conseguiu a classificação e partiu com tudo na segunda. Foi a Salvador e ganhou do Bahia por 1 x 0. Em Gama-DF, ganhou do time local por 2 x 0. No Estádio do Café goleou o Santa Cruz de Recife, numa das melhores atuações do time em todos os tempo, foi um show. Depois veio uma discutida derrota paraem Piracicaba, para o XV, por 2 x 1. O embalo foi reconquistado no empate em 1 x 1 com o Flamengo e na goleada contra o Náutico por 4 x 2. Por fim, o Londrina perdeu em Porto Alegre uma nova classificação ao ser derrotado pelo Grêmio por 1 x 0.
Entre 94 equipes, o LEC ficou com a 19º colocação.

1980 - 1989




Vice Campeão em 80

O Londrina foi vice-campeão paranaense, naquele campeonato que teve dois campeões. Por determinação da FPF, Cascavel e Colorado, que terminaram empatados o certame, foram proclamados campeões.
Participando do quadrangular final, o Londrina ficou na posição imediata aos campeões e por isso foi vice. O Pinheiros ficou em terceiro.

A Taça de Prata é nossa

Franchello havia perdido a eleição e o presidente era Durval Dias Ribeiro, que tomou posse no dia 06 de outubro de 1979, e tinha a seu lado outros novos dirigentes: João Nogueira de Castro, Arley Marroni, Rui Barbosa de Castro, Humberto Augusto da Silva, José Basso, José Begiato, José Granado Garcia, João Círio Biazzi, José Angelo Garcia, Huber da Guia Rosa, Ludnei Piceli, José Carlos Rocha, Rui Carneiro, Roberto Ventura, José Branco Delgado, Ivan Prado, Nasib Jabur, Moacir Mendes Leite, Walter Senhorinho, Luiz Carlos Miguita, Sebastião Simões, Carlos Roberto Scalassara, José Roberto Vezozzo, Marcio Antonio Ramondini, Osmar Mansano, José Antonio Adum Neto, Abilio Wolff Junior, José Eli Ferraz e Aldo Fossati. O técnico era o ex-jogador do Santos, Jair Bala, capixaba de Cachoeira de Itapemirim.

Final da Taça de Prata de 1980 - CSA 1 x 1 Londrina
Momento do gol de empate do LEC no primeiro jogo da final.
O Londrina foi o primeiro campeão brasileiro da Segunda Divisão, 1980. Na conquista da Taça de Prata. O Londrina disputou onze jogos na primeira fase, passando pelos adversários Atlético-PR, Criciúma, Brasil de Pelotas, Juventude, Juventus, Chapecoense, Grêmio Maringá, Sampaio Correia, Anapolina e Bonsucesso.
Na semi-final veio o Botafogo-SP. O Londrina ganhou os dois jogos: 2 x 1 em Ribeirão e 1 x 0 no Café.
A grande decisão foi contra o CSA, Centro Esportivo Alagoano. Houve empate no primeiro jogo, em Maceió, no dia 11 de maio. Paulinho marcou para o Londrina e Dentinho para o CSA.
Londrina Esporte Clube - 1980
Ramirez, Zé Roberto, Zequinha, Jorge, Zé Antonio, Gilberto
Nivaldo, Claudinho, Tata, Everton e André.

O jogo final foi no Café, dia 15 de maio. O Londrina foi brilhante e goleou por 4 a 0. A torcida não se conteve e invadiu o campo três minutos antes do final. José Roberto Wright, o árbitro, entendeu a euforia e a festa foi total.
Paulinho marcou dois, Lívio e Zé Roberto fizeram os outros dois gols. O público pagante foi de 36.489 pessoas. A renda recorde, de Cr$ 2.400.280,00.
Além do técnico Jair Bala, integravam a comissão técnica o preparador físico Dartagnan Pinto Guedes, o preparador de goleiros Zeferino Paquini, o médico Jair Furlan, o massagista José Carlos Venturini, o enfermeiro Adair e o ropeiro Bernardo.
O Londrina teve a seguinte formação: Jorge, Toquinho, Gilberto, Fernando e Zé Antonio; Wanderley (André), Everton e Lívio; Zé Dias (Zé Roberto), Paulinho e Nivaldo.


Campeão Paranaense de 1981

No futebol, o espaço entre o aplauso e a vaia é muito curto. E o campeão da Taça de Prata, Jair Bala caiu. O Londrina acabaria contratando outro ex-jogador do Santos, da "era Pelé": Ubiratão Calvo Nunes, um temperamental, muitas vezes comparado a Floreal Garro, o treinador que levou o time ao título estadual de 62. O preparador físico agora era Bebeto. Continuavam na comissão técnica Jair Furlan, Zeferino Pasquini, Venturini e Adair. Na diretoria, poucas alterações. Ézio Ivan Secco, cadidato da situação, foi eleito presidente e o departamento de futebol ganhou o reforço de Jacy Scaff.

Londrina Esporte Clube - Campeão Paranaense de 1981
Jogadores comemorando um dos gols da final.
O duro e sofrido jejum de títulos (do campeoanto Paranaense) durou exatos 18 anos, sete meses e oito dias. E, afinal, acabou no domingo, dia 29 de novembro de 1981, quando o Londrina, no estádio do Café tomado por 43.412 pagantes (e, calcula-se, dois mil penetras), derrotou o Grêmio Maringá por 2 x 1, e com todos os méritos, sagrou-se campeão.
Uma semana antes, a 100 Km dali, na rival Maringá, o Tubarão conseguira o que parecia impossível: batera o seu velho rival por 3 x 2, depois de estar vencendo por 3 x 0, na primeira partida da decisão. Durante a semana, nas conversas na Avenida Paraná, centro nervoso dessa jovem cidade de 400 mil habitantes (na época), não se falava outra coisa. Se lá na casa do adversário, vencemos, em casa a facilidade seria ainda maior.Terrível perigo, como ensina o passado do futebol. "Não podemos esquecer, do que aconteceu com a seleção brasileira em 50", advertiam os mais velhos. Excesso de cautela, quem sabe. Pelo sim, pelo não, no fundo nenhum londrinense duvidava: chegou a cora do LEC.
Assim, a festa tomou conta de Londrina desde a véspera. De sábado para domingo, poucos dormiram em paz. As buzinas e os tamborins soaram sem parar durante a madrugada. Nas lojas, esgotavam-se os tecidos azuis e brancos. Domingo cedo, enfim, começou a chover. E daí? Ao meio-dia, o estádio já estava quase cheio para a celebração tão esperada. Iniciado o jogo, com renda recorde no Estado - quase 10 milhões de cruzeiros -, as gargantas roucas de tanto carnaval antecipado esperavam aflitas o momento de gritar a vitória. Não demorou. Logo aos 14 minutos, o ponta direita Zé Dias penetrou pelo miolo e tocou para o artilheiro Paulinho que, na saída do goleiro, marcou o primeiro gol. Era a senha para a loucura. "É Campeão! É Campeão!", berrava-se sem parar.
Torcida invadindo o campo
Torcedores pagando promessa
Torcida comemorando o título Paranaense de 1981
Comemoração...
De súbito, porém, os corações alvi-celestes gelam de pavor. Numa escapada, oito minutos mais tarde, o meia Silvinho decreta o empate. E agora? Os maringaenses reagiriam? Os londrinenses botariam tudo a perder? Como se estivessem tomados por essa dúvida, os jogadores do Londrina se viram dominados pelo rígido esquema de marcação homem a homem que quase imobilizou o ponta esquerda Carlos Henrique, principal arma do LEC.
No segundo tempo, a indefinição durou até os 21 minutos. O jogo tomava um rumo nervoso, indefinido. Aí, ante o pedido em coro da massa, o técnico Urubatão resolveu colocar o atacante Carlos Alberto Garcia, ainda um ídolo da torcida.
Passavam-se dez minutos e Carlos Henrique era derrubado na esquerda. Ele próprio cobra a falta. A bola vem alta e, no meio de uma marulha de defensores do Maringá, quem mete a cabeça para fazer o gol da vitória e do campeonato? Carlos Alberto Garcia, o "Bem Amado", o "Beijinho". O time de Maringá reclamou uma falta que não houve. Na confusão, o zagueiro Osíris seria expulso. Não demora muito e o lateral Detti também leva cartão vermelho do árbitro Newton Martins. Se com 11 o Grêmio Maringá parecia sem forças para ameaçar o Londrina, que se diria com apenas nove?
Quando o final a partida acabou, milhares e milhares de felizes torcedores invadiram o gramado, de onde todos os jogadores fugiam assustados - exceto Paulinho, de quem tiraram camisa, chuteiras, meias, ataduras e calção, quase o obrigando a sair do campo pelado.
Londrina Esporte Clube - Campeão Paranaense 1981
Agora, era festejar de verdade, numa comemoração que novamente varou a noite, esgotando nos bares o grande parte do estoque de cerveja armazenado para o fim do ano.

Jacy Scaff fez o Londrina grande

Muita gente deixou seu nome marcado na história do clube. Cada um em sua época. Foram dirigentes como o grande e eterno presidente Carlos Antonio Franchello, jogadores como Gauchinho, Garcia e tantos outros. Mas um nome em especial, esteve presente no grande momento do Tubarão. No final da década de 70 e início da década de 80.
Jacy Scaff ingressou no futebol, após a união do Londrina com o Paraná, etendendo o convite de David dos Santos Filho. De 70 a 72 foi diretor de futebol. Voltou a função em 74. No ano seguinte foi vice-presidente de Fernando Agudo Romão, assumindo a presidência no final do ano. Foi presidente no biênio 76/77 e a ele foi dado o maior mérito de ter colocado o Londrina no Campeonato Nacional. Implantou uma nova mentalidade no clube com a contratação de grandes jogadores, com a ampliação da sede campestre e a expansão social.
Seu sonho sempre foi transformar o Londrina no maior clube do Paraná. Foi diretor de futebol em 80/81 e voltou a presidência na gestão de 82/83.
Jacy morreu em 86, deixando uma grande lacuna no meio esportivo paranaense.

Reestruturação

Outro nome importante na história do Londrina na década de 80 é o do professor Cleber Tóffoli., que foi presidente do Londrina duas vezes. Na primeira de forma interina , no segundo ano da administração de Murilo Zamboni. Na segunda, Cleber cumpriu um mandato de três anos, saindo para concorrer a um cargo político. Foi presidente do Londrina de 85 a 89.

Seu melhor trabalho foi a de reestruturar a parte administrativa , promovendo um controle do quadro de associados, o que não exisita.
No futebol, deu força total ao Júnior, que foi campeão estadual e foi base ao time profissional nos anos seguintes. Passou o departamento amador para a administração de empresários, com direito a 50% nas vendas dos passes.
Cleber trabalhou 10 anos pelo Londrina. Além de presidente, foi presidente e secretário do Conselho Deliberativo e vice-presidente do departamento amador.

Os artilheiros

O Londrina teve cinco vezes o artilheiro do Campeonato Paranaense. Quatro deles na década de 80.
- 1980, Everton com 20 gols
- 1981, Paulinho e Carlos Henrique com 13 gols
- 1986, Cláudio José com 15 gols
- 1987, Adalberto com 13 gols

1990 - 1999




VGD , a casa do Londrina

A luta do Londrina para ficar com o estádio durou 30 anos. Começou em 60 quando os vereadores vetaram o projeto de doação em comodato e houve até "enterro simbólico" dos edis, organizado por dirigentes e torcedores.
Com a construção do Café, em 76, o VGD passou para segundo plano e o Londrina fortaleceu o movimento para ganhar o estádio.
No dia 06 de setembro de 1990, o Prefeito Antonio Belinati sancionou a lei 4.312 e o estádio passou para o Londrina. Sua diretoria comandada por Dorival Pagani promoveu reformas e o estádio ganhou novo visual.
Conheça a história do VGD, clicando aqui.

Meninos de ouro

Com um cuidado especial na formação de talentos, o Londrina, no início da década de 90, não só marcou na revelação de jogadores mas também na conquista de títulos importantes.

Júnior:
  • 1990 - Vice-campeão da Copa Cidade de Londrina
  • 1991 - Campeão da chave Norte, no Estadual
  • 1992 - Campeão da Copa Cidade de Londrina e Vice-campeão Estadual
  • 1993 - Campeão da Copa Cidade de Londrina e Campeão Estadual
  • 1994 - 4º lugar na Taça São Paulo e Campeão da Cidade de Londrina


Juvenil:
  • 1990 - Campeão da Copa Mandaguari
  • 1991 - Campeão da Copa Mandaguari
  • 1992 - Campeão da Copa Mandaguari e Campeão da Liga de Londrina
  • 1993 - Campeão da Liga de Londrina, Vice-campeão da Taça Monte Alegre e Campeão da Taça Santiago
  • 1994 - Campeão da Liga de Londrina e Campeão da Taça Monte Alegre
  • 1995 - Campeão da Taça Monte Alegre, Campeão da Copa Cidade de Uberaba e da Liga de Londrina


Infantil:
  • 1992 - Campeão do Torneio de Guaíra e Campeão da Taça Independência
  • 1993 - Campeão da Liga de Londrina
  • 1994 - Vice-campeão da Liga de Londrina
  • 1995 - Vice-campeão da Liga de Londrina


Mirim:
  • 1992 - Campeão da Copa Ametur, Campeão de Londrina e Campeão Regional
  • 1993 - Campeão do Torneio Primavera, Campeão do Torneio de Guaíra e Campeão de Londrina
  • 1994 - Campeão de Londrina


Campeão Paranaense de 1992

Londrina Esporte Clube - Campeão Paranaense 1992
André Dias, Alexandre, Souza, Roberto, Amarildo e Marcio.
Aléssio, Marquinhos, Cláudio José, Tadeu e Celso Rei.
"Agora no Paraná, não existe mais o Trio de Ferro. Mas sim, um quarteto". A frase emocionada do técnico Varlei de Carvalho, logo após a vitória de 1 a 0 na terceira partida com o União Bandeirante. Vitória que garantiu o terceiro e mais difícil título paranaense de sua história. E é uma grande verdade. Com a conquista de 1992, que se juntou às de 1962 e 1981, o Londrina tornou-se o clube do interior que mais se aproxima dos clubes da capital.

A volta do Londrina forte, não é obra do acaso, mas sim de um multirão pela vitória que envolveu a prefeitura da cidade e alguns empresários. Assim o time recebeu um empurrão extra na fase final, que ultrapassou a casa dos 400 milhões de cruzeiros. Os resultados não tardaram a aparecer. O Tubarão devorou o Atlético-PR com uma vitória por 3 x 2 e uma derrota por 2 x 0 e novo triunfo nos pênaltis, por 4 x 3. O União Bandeirante era o último obstáculo na direção do título, e, com ele, havia um tabu: o Londrina não vencia o rival a quase 7 anos.

Foram necessárias três partidas, todas em Londrina (o estádio do União não atendia à exigência mínima de 15 mil lugares). Mas valeu a pena, com dois empates (0 x 0 e 2 x 2, com gol do zagueiro Márcio, no último minuto) e uma sofirda vitória de 1 x 0, o Tubarão fez de Londrina, a capital do futebol do Paraná.

A campanha do Londrina no Paranaense de 1992 foi: 30 jogos, 11 vitórias, 15 empates, 4 derrotas, 38 gols à favor e 24 contra. Tadeu e Cláudio José, com nove gols, foram os artilheiros do time.

Torcida Falange Azul

Torcida Falange AzulA Torcida Falange Azul foi fundada em 05 de Fevereiro de 1992. Foi fundada pelos então amigos Marcelo Aparecido Fuentes, Ronaldo Cezar, Rogério Batista e Ivoncley Sepe. Em 1997, o Londrina, contava com apoio de três torcidas organizadas. A Sangue Azul, a Mancha Azul e a Falange Azul, mas como o Londrina não ia bem, as torcidas perdiam seus adeptos. E foi proposto a fusão das três torcidas. O acordo não foi aceito pelos integrantes da Sangue Azul, mas resultou na união da Mancha Azul e da Falange Azul, ficou mantido o nome Falange Azul e diversas mudanças ocorreram em relação a torcida organizada. A Falange Azul superou todas as dificuldades e continuou crescendo, apoiando o Londrina em todos os jogos, inclusive os fora de casa e com o desaparecimento natural da Sangue, a Falange Azul passou a ser a única torcida organizada do Londrina.
A diretoria executiva da torcida é formada pelo presidente Fernando Cesar Pereira, vice-presidente Marcelo Benini, diretor geral Rômulo Neves, diretor financeiro Sergio Raimundo e Marcelo Fuentes.

Vice-campeão Paranaense em 93 e 94

O Londrina por muito pouco não levantou o caneco em 93 e 94, pelo Campeonato Paranaense. Repetia-se a boa campanha do título de 92. Em 93, o Londrina chegou ao quadrangular final tendo como adversários o Atlético, Paraná e Matsubara. Foram 2 vitórias, 2 empates e 2 derrotas, deixando o LEC com o vice campeonato. Em 94, o Londrina enfrentou no quadrangular final o "trio de ferro". Novamente 2 vitórias, 2 empates e 2 derrotas e o vice campeonato.

Copa do Brasil

Com o título Paranaense de 1992, o LEC ganhou uma vaga para disputar a Copa do Brasil de 1993, era sua estréia nesta competição. Foram seis jogos e fez bonito.
Primeiro enfrentou o Operário de Campo Grande, ganhou os dois jogos: 3 x 1 em Campo Grande e 2 x 0 em Londrina.
Depois veio o Internacional de Porto Alegre, que arrancou um empate de 1 a 1 no Estádio do Café. No segundo, no Beira Rio, o Londrina surpreendeu todo mundo. Ganhou de 1 a 0, gol de Alécio, e provocou uma grande crise no time gaúcho.
Na terceira fase, o Londrina pegou o Flamengo. O primeiro jogo foi no Maracanã. Faltou um pouco mais de coragem ao Londrina, que perdeu por 1 a 0, gol de Nélio. No Estádio do Café, quase deu. O Londrina empatou por um gol e merecia ter vencido. Djalminha de falta marcou para o Flamengo e Alexandre também de falta empatou para o Londrina.
Como vice-campeão paranaense em 93 e 94, o Londrina sonhou com uma vaga na Copa do Brasil, mas não participou. Uma briga do presidente Onaireves Moura, da Federação Paranaense, com a CBF, tirou do Tubarão o direito de participação adquirido no campo.

Nova iluminação no VGD

Em dezembro de 95, foi inaugurado os novos refletores do Vitórino. O VGD já teve sistema de iluminação, mas com a falta de manutenção acabou com tudo.
Quando negociou os jogadores Alemão, Serginho Brasilia e Silvinho com o XV de Piracicaba, a direção do Londrina fez um acerto com a TAM, patrocinadora da equipe paulista, e conseguiu o novo sistema de iluminação.

Eleição agitada

As eleições no final de 95 foi a mais movimentada da história do clube e a recordista em número de votantes: 918.
Mesmo com o clube passando por um péssimo momento financeiro, a eleição foi tão concorrida que teve juiz de direito na presidência do pleito e horário gratuíto no rádio.
O Dr. Dimas Ortêncio de Melo, um dos juizes da Comarca, foi quem comandou, em grande estilo, a eleição. O horário das propagandas da chapas foi diário, conceido pela Rádio Paiquerê. Nele, os candidatos Marcelo Ângelo Caldarelli e Carlos Alberto Garcia puderam falar de suas plataformas.
A eleição foi no dia 10 de dezembro, data do aniversário da cidade, na sede da Av. Jorge Casoni. Foi um dia inteiro de grande agitação.
Nuno Leal Maia
Nuno Leal Maia, ator e treinador
Marcelo Caldarelli, chapa "União Total", foi oposição ferrenha e queria a presidência a todo custo. Na eleição anterior ele havia sido eleito vice-presidente. Fez um pacto com Iran Campos para assumir no segundo ano de gestão, o que não foi cumprido pelo presidente.
Carlos Alberto Garcia, um dos maiores ídolos da torcida londrinense, foi uma espécie de situação disfarçada. Garcia contou com o apoio de alguns empresários, mas sua campanha não foi tão forte como a de Caldarelli.
No final, Marcelo Caldarelli tornou-se presidente com 517 votos, contra 383 de Garcia. A votação teve ainda 16 votos em branco e 2 nulos.
Antes mesmo de ser eleito, Caldarelli anunciou o ator Nuno Leal Maia como treinador e falou também de contratações de grandes jogadores famosos como o colombiano Higita e o atacante Casagrande.

A crise veio, a SAL salvou

Caldarelli não conseguiu terminar sua gestão. As muitas promessas de campanha não foram cumpridas e o clube passou por um dos mais difíceis períodos de sua história.
Sem dinheiro para investimentos, apertado por muitas ações trabalhistas, o Londrina viveu crises que acabaram abalando o time dentro de campo.
Caldarelli aderiu o lado do comportamento extravagante para chamar atenção da imprensa. Prometeu pagar prêmios por vitórias com bois de uma fazenda que nem era sua. Num jogo em Jandaia do Sul, envolveu-se em brigas com a torcida e até disparou alguns tiros.
Polêmico e centralizador, teve poucos companheiros na diretoria e acabou renunciando em plena disputa do Campeonato Paranaense, depois de um acordo com o prefeito Antonio Belinati. Ao sair, ficou com o passe da maioria dos jogadores que eram do clube como forma de recuperar o dinheiro que teria aplicado no LEC.
Terminada o campeonato Paranaense de 96, o Londrina esperava o Brasileiro da série B. Em razão dos muitos problemas financeiros, Caldarelli anunciou que o Londrina não teria condições de participar mesmo que isso custasse ao clube o rebaixamento.
Foi ai que a cidade se mobilizou e surgiu a Sociedade dos Amigos do Londrina Esporte Clube, a SAL, para marcar uma nova etapa na vida do clube.
Criada em 15 de julho de 96, como associação civil, sem fins lucrativos, assumiu o futebol profissional e, mesmo sem tempo necessário, conseguiu montar o time para o campeonato nacional. Formada por empresários de destaque da cidade, a SAL teve como 1ª diretoria: presidente - Abílio Medeiros Júnior; vice - Raul Fulgêncio; 1º secretário - Cléber Toffoli; 2º secretário - Rodrigo Rodrigues Alves; 1º tesoureiro - Marcos Alexandre Domingues; 2º tesoureiro - Fernando Agudo Romão; conselho fiscal - João Milanez, Fábio Scaff e Célio Guergoleto; suplentes - Marco Antonio Ramondini, Aristides dos Santos e Dorival Pagani.
Depois de alguns tropeços no começo, firmou-se, e cumpriu uma boa campanha no Campeonato Brasileiro. Chegou ao quadrangular final e por pouco não subiu para o grupo de elite do futebol brasileiro.
No começo de 97, antes do Campeonato Paranaense, não houve acordo entre a SAL e a presidência do Londrina, e o futebol profissional voltou para o comando de Marcelo Caldarelli.


Paranaense de 1997

Com pouco investimento, o Londrina de Caldarelli entrou no campeonato sem pretenções de brigar pelos primeiros postos. O que a torcida não esperava, entretanto, é que o time fosse ameaçado de rebaixamento.
Depois de 8 jogos e o forte risco de rebaixamento, a SAL voltou a comandar o clube, por indicação de Antonio Belinati. Caldarelli renunciou depois de um acordo com Belinati e com a AMETUR.
As mudanças foram profundas. Um novo time foi contratado mas mesmo assim o LEC não conseguiu ficar entre os oito primeiros para disputar o título. Foi para o Torneio Extra, entitulado de Torneio da Morte, para disputar 4 vagas de permanência na primeira divisão de 98.
Algumas más jornadas no início e o embalo depois. O Londrina terminou o torneio em primeiro e se garantiu no grupo de elite. O técnico da reação foi Varley de Carvalho, o memos que, em 92, deu ao Londrina o título paranaense.

Mal no paranaense, bem no brasileiro

A pífia campanha no estadual de 98 resultou no rebaixamento da equipe para a segunda divisão do estado. Felizmente, no ano seguinte, o Londrina conseguiu voltar a elite do estadual, sendo campeão da segunda divisão. O jogo da final no Estádio do Café, foi contra a Portuguesa Londrinense e o Londrina venceu por 2 x 0.
Em 98 ainda, o Londrina fez uma bela campanha pela série B do brasileiro. Chegou ao quadrangular final e ficou a uma vitória da elite do nacional. Na última rodada, a classificação do quadrangular tinha o Gama-DF com 7 pontos, Botafogo-SP e Desportiva-ES com 6 pontos e o Londrina com 5 pontos. O LEC enfrentaria o Gama no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, uma vitória e o Londrina estaria entre os grandes clubes do Brasil. Uma grande caravana londrinense se dirigiu a capital do país. E com uma atuação até hoje questionada (muito longe daquilo que a equipe vinha apresentando) por toda torcida azul-celeste, o LEC foi derrotado por 3 x 0 e o sonho da série A acabou.


Bibliografia

- Jornal o Panorama - Edição Especial, 25/08/1976
- Jornal Paraná Norte - Edição Especial, 28/07/86
- Livro, Londrina Esporte Clube - 40 Anos - Do Caçula Gigante ao Tubarão, J. Mateus, 1996
- Livro, Londrina Esporte Clube - Contado... Em Fatos e Fotos, Jefferson de Lima Sobrinho, 2005
- Revista Placar, Nº 524, de 16/05/1980, Pg 82. Matéria de Isnard Cordeiro
- Revista Placar, Nº 603, de 04/12/1981, Pg 10 - 12. Matéria de Isnard Cordeiro
- Revista Placar, Edição dos Campeões de 1992, Pg 50.
 
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