História

1956

escudo 1956

COMO TUDO COMEÇOU

Antes de se mudar para Londrina, José Luciano de Andrade vivia em Rolândia, onde fundou com seu irmão Luiz um dos primeiros clubes profissionais do norte do Paraná: O Nacional. Quando soube que o time enfrentaria o Vasco da Gama, Andrade foi pessoalmente assistir ao jogo e acompanhou a vitória do Nacional por 3 a 2.

Retornando para Londrina, ao lado do médico Wallid Kauss, surgiu a discussão: "Se Rolândia pode ter uma equipe capaz de enfrentar o Vasco em condições de igualdade, por que não poderia acontecer o mesmo em Londrina?".

A ideia acabou sendo debatida na mesa de um restaurante. E não poderiam ter feito escolha mais feliz, pois tão logo ficou sabendo do assunto, o proprietário do estabelecimento, Pietro Calloni, italiano fanático por futebol, se juntou ao médico alemão e ao advogado mulato.

Alguns dias depois, a quarta cadeira na mesa foi ocupada pelo gerente da agência do Banco do Brasil, Paulo Schmidt, que sugeriu o nome Londrina Futebol Clube, logo adotado.

O grupo não parava de crescer e pelo menos duas mesas do restaurante tinham de ser reservadas para que o juiz Ismael Dornelles de Freitas, o médico Osvaldo Palhares e o professor Silveira Santos, juntos com Camilo Simões, Fioravante Bordin, Nicola Pagan, Algacir Penteado e Francisco Arrabal, pudessem discutir sobre futebol.

ERA PRECISO ABRIR O CAMINHO PARA O PROGRESSO

Devido ao interesse de todos os envolvidos, a formação do Londrina foi rápida. Cerca de 25 times estavam registrados na Liga Regional de Futebol (amador), quando um número considerado de desportistas compareceu ao salão nobre do Hotel Monções para eleger a primeira diretoria do novo clube.

O prefeito, Antonio Fernandes Sobrinho, e o secretário da Prefeitura, Mário Cunha, também participaram da reunião. Depois de algumas horas de debates, o estatuto da agremiação e a composição da primeira diretoria foram aprovados.

A Ata de Fundação foi redigida por Paulo Carvalho Braga e seu texto era formal, ou não seria uma Loa Ata: "Aos cinco dias do mês de abril de mil novecentos e cinquenta e seis, às vinte horas, compareceram os abaixo assinados, os quais, de comum acordo deliberaram fundar um clube de futebol profissional e demais esportes, o qual recebeu o nome de Londrina Esporte Clube..." A composição da primeira diretoria, apresentada por Wallid Kauss e eleita por aclamação, contava com cinco "presidentes de honra", que normalmente pouco “apitam”: o prefeito Antonio Fernandes Sobrinho, o juiz Ismael Dorneles de Freitas, Julio Fuganti, Leônidas Rezende e Pietro Calloni.

Naquela mesma noite ocorreu a primeira eleição de um técnico de time de futebol, que se tem notícia: José Luciano de Andrade foi o escolhido. Ele também acumulou o cargo de supervisor. Mas o clube que nascia não pensava em se restringir ao futebol e, por isso, elegeu também um diretor social: o então promotor, Antonio de Silveira Santos.

O próximo passo foi buscar arrecadar dinheiro para o clube. Um livro de ouro foi aberto pelo Comendador Julio Fungati com a quantia de Cr$ 50.000, arrecadando algo em torno de Cr$ 800.000. Depois foi preciso conseguir elenco, e para isso foram realizadas várias peneiradas com jogadores amadores locais de onde surgiram os nomes: Rubinho, Nery, Valter, Pozzi, Zolan, Comida, Ioiô, Gino, Pinduca, Zezinho, Gatão e Lelé.

No entanto, o resultado não foi suficiente para as ambições do clube, o que fez com que os dirigentes procurassem por jogadores no mercado do Rio de Janeiro. Do Flamengo, trouxeram Marinho Rodrigues, Rubens Cortez, Jorge Paulino, Paulinho, Alaor, Mauricio, Inácio, Tião e Jorge Davi. Do Botafogo, vieram Abel e Jaime, e, de outros clubes cariocas, Osvaldo, Domingos, Jorge Carlos, Carvalho e Jota Alves.

Do futebol Paulista, vieram da Portuguesa Desportos os jogadores Mané, Valter II, Armandinho e, mais tarde, Zé Carlos, bem como outros do interior. Estava assim formado o novo clube. Em reunião extraordinária na sede da Federação Paranaense em Curitiba, no dia 25 de junho de 1956, através do Boletim Oficial 75/56 - Resolução Nº 10 foi concedido o registro do Londrina F.C.

Para o posto de presidente, elegeram Fioravante Bordin. Mas ele não era uma pessoa muito ligada ao futebol e logo se afastou, alegando que não poderia se dedicar ao clube devido a negócios particulares. Coube a Camilo Simões assumir o cargo.


O PRIMEIRO JOGO

O primeiro jogo treino do Londrina foi disputado com a Portuguesa Londrinense, na época um dos melhores clubes amadores da cidade, com o placar final de 4 a 0 favorável ao time alviceleste.

Em 24 de junho de 1956, a multidão interrompeu em aplausos quando, sobre o verde do gramado, surge o azul e branco da camisa nunca usada. É o Londrina entrando em campo pela primeira vez. A massa de torcedores não festejou a vitória naquele jogo, mas não saiu inteiramente frustrada, pois também não amargou a derrota. O amistoso contra o Corinthians de Presidente Prudente (SP) terminou empatado em 1 a 1. Coube ao ponta direita Alaor marcar o primeiro gol do Londrina.

Já o primeiro torneio disputado pelo time foi um quadrangular promovido pela Folha de Londrina, que contou com o Nacional de Rolândia, a Sociedade Esportiva Uraí e a Portuguesa de Desportos de São Paulo. A Lusa paulista foi a campeã com três jogos ganhos. O Londrina conquistou a segunda posição.


chuteira

COM OS ANOS...

novos presidentes foram eleitos: Manoel Domênico, um próspero comerciante, substituiu Camilo Simões. Passaram ainda pelo cargo, Juvenal Pietraróia, Olavo Santiago e Sílvio Bussadori.

Foi quando entrou em cena aquele que seria o mais popular presidente do Londrina em toda a história do clube. Um baixinho gozador e atrevido, chamado Carlos Antonio Franchello, que ocupou o cargo de 1959 a 1969. Com Franchello, o time passou a se chamar Londrina Futebol e Regatas e conquistou o seu primeiro título estadual.

carro antigo

EM 1959 – VICE-CAMPEÃO PARANAENSE

Como campeão do Torneio Início do Campeonato Norte-Paranaense, o Londrina ganhou o direito de participar da primeira decisão Norte x Sul do Paranaense. No certame do Norte, o Tubarão foi o campeão com uma campanha de 14 jogos, 11 vitórias, dois empates e apenas uma derrota.

A decisão estadual foi contra o Coritiba, disputada em 1960. No primeiro jogo, na casa do adversário, o time alviceleste perdeu por 3 a 0. No segundo jogo, disputado em Londrina, o Coritiba confirmou o favoritismo e venceu por 2 a 1.

Neste jogo foi registrada a maior renda do Paraná, no valor de 792.310 cruzeiros. O curioso é que o Coritiba não aceitou a divisão de renda, ao invés disso, exigiu uma cota fixa de 100 mil para jogar em Londrina. Ao que parece, a direção do Coxa não acreditou no potencial da torcida londrinense.


1959

Carlos Antônio
Carlos Antonio Franchello,
presidente por mais tempo

1960

Dom Geraldo
Dom Geraldo Fernandes
Ado e Zé Fernando
O goleiro Ado e o atacante Zé Ferreira

O PRIMEIRO TÍTULO PARANAENSE

Para chegar ao triangular que decidiu o título do Campeonato Paranaense de 1962, o Londrina precisou vencer a Série Norte. A decisão dessa etapa foi disputada em Apucarana, que possuía uma excelente equipe.

A primeira partida da "melhor de quatro pontos" foi na casa do adversário e terminou empatada em 1 a 1. Depois, no VGD, o Apucarana surpreendeu ao ganhar do time orientado pelo técnico Florial Garro por 2 a 1. Aureo e Santana marcaram para o Apucarana e Gauchinho fez o gol do Londrina.

Em 10 de março, aconteceu a partida em campo neutro, realizada no Belfort Duarte. Apesar do Apucarana jogar apenas pelo empate, o Londrina entrou em campo tranquilo e venceu por 3 a 2. Com três pontos para cada um, foi preciso um jogo de desempate, realizado no Dorival de Brito, também em Curitiba. Londrina saiu vitorioso, com o placar de 2 a 1, e comemorou o título de Campeão Norte Paranaense.

Com o título do Norte Novo, o Tubarão disputou a fase final do campeonato com o Coritiba (campeão do Sul) e Cambaraense (campeão do Norte Velho). A torcida mais uma vez sofreria um susto no início da decisão. No dia 7 de abril, o Londrina empatou em casa com a Cambaraense, considerada a equipe mais fraca das três que lutavam pelo caneco. O resultado final foi um emocionante 3 a 3.

Mas o Coritiba também tropeçou no obstáculo menosprezado, empatando com a Cambaraense. Assim, quando o time da capital veio jogar no VGD, no dia 10 de abril, a partida foi considerada uma decisão antecipada do título. Quem vencesse afundaria as chances do adversário.

O resultado? Londrina 4 a 2. O jogo marcado contra o mesmo Coritiba, para o dia 21, era a oportunidade do Londrina conquistar o título antecipadamente, sem depender do resultado do jogo final, em Cambará.

Quem esperava o Tubarão recuado na partida, errou. Desde o início o time procurou o gol, o que garantiu a vitória londrinense pelo placar de 4 a 2. O campo do estádio do Coritiba virou palco para a festa da torcida alviceleste, que demoraria 18 anos, sete meses e oito dias para comemorar um novo título estadual.

Londrina, Paraná, só Londrina,
muda camisa, volta a camisa antiga.
Houve um período em que nosso
futebol andou mal das pernas.
De bola e de dinheiro.
Mas o Tubarão fez tudo voltar aos
bons tempos de glórias.

Neste período, o Tubarão ganhou um novo rival. O São Paulo, tradicional time amador de Londrina, foi profissionalizado por um grupo de diretores dissidentes do Londrina Futebol e Regatas, logo após a eleição de 1964 que apresentou duas chapas. Uma representava o grupo que tinha a frente o "eterno" Carlos Antonio Franchello, Olavo Santiago e Silvio Bussadori. A outra contava com Pedro Assunção, Nicola Pagan e Otávio Pedrialli. A chapa de Franchello venceu por três votos de diferença.

Por discordarem da política administrativa de Franchello, os integrantes da chapa derrotada decidiram deixar o Londrina de lado e transformar o São Paulo no segundo time profissional da cidade. Formado basicamente por pratas da casa, o time rival chegou a surpreender os torcedores do Tubarão em clássicos sempre muito disputados e que proporcionavam boas arrecadações. A partir de 68, o time foi obrigado a mudar o seu nome para Paraná, devido a dificuldades financeiras enfrentadas.


1969

Londrina em 1967
Londrina em 1967, com Ado no gol.

1970


Reunião
A foto registra reunião no gabinete do Prefeito Dalton
Paranaguá entre as duas diretorias, oficializado a união

O Londrina, por sua vez, não repetia as atuações maravilhosas de anos atrás, sucumbindo diante do maior potencial dos clubes da capital. Passando por dificuldades, dirigentes e torcedores dos dois clubes começaram a admitir a ideia de uma união, como forma de solucionar o problema. O objetivo era formar um time mais forte e apoiado pelas torcidas unificadas, que levaria o futebol da cidade à posição de destaque. Mas havia aqueles que discordavam da ideia. O presidente Franchello, por exemplo, não admitia mudanças nas cores "alviceleste".

Para resolver a questão, o prefeito Dalton Paranaguá convocou os dirigentes dos dois clubes para uma reunião, no dia 03 de janeiro de 1970. Houve muita conversa, mas a união não se concretizou. Onze dias depois, porém, os dirigentes voltaram a se encontrar e em duas horas e meia de reunião ficou acertada a união dos clubes. O nome foi alterado para Londrina Esporte Clube e a camisa ganhou as cores vermelha e branca. O presidente Franchello, contrário à decisão, abandonou seus antigos companheiros, declarando que iria esperar que "as cores antigas voltassem um dia...".

David dos Santos Filho foi o primeiro presidente após a união, eleito em uma rápida reunião do Conselho Deliberativo, em outubro de 1970. Com ele na presidência, mais dirigentes se aproximaram do Londrina, como Mauro Viotto, Fernando Agudo Romão e Jacy Scaff. Após David, o advogado Mauro Viotto foi o responsável por assumir o cargo, que exerceu até outubro de 1972, um ano não muito favorável para o clube. As cores tradicionais finalmente voltariam com a sua saída e a surpreendente volta de Franchello.

Muitas mudanças foram feitas, no entanto Franchello deixou a presidência antes mesmo do final do seu mandato, assumindo o vice-presidente Fernando Agudo Romão. Com pouco dinheiro e sem elenco, a solução encontrada pelo novo presidente foi tentar revelar jogadores de equipes menores.

Do juvenil do Londrina surgiram diversos jogadores que foram aproveitados no profissional, assim como outros que foram vendidos para equilíbrio do orçamento. Durante sua presidência do LEC, Agudo Romão conseguiu cerca de 26 jogadores, entre aquisições baratas e revelações. Além disso, o departamento de patrimônio do clube aumentou de 2.800 para 9.000 associados.

O mandato de Romão acabou em outubro de 1975, o que fez com que o Londrina vivesse uma das suas mais agitadas eleições. Um colegiado chegou a dirigir o clube até dezembro, quando foi apresentada uma chapa oficial de consenso, com Jacy Scaff na presidência.


trabalho de base
Trabalho de Base no LEC surgiu em 1975

TRABALHO DE BASE

A verdadeira consciência da necessidade de um trabalho de base só surgiu no Londrina em 1975, quando o Departamento Amador do clube divulgou o aproveitamento de jogadores da escolinha para os treinos do time profissional, trabalho que logo apresentou resultados positivos.

Além do goleiro Ado, que esteve no México defendendo a seleção Brasileira de 1970, o Londrina já revelou outros bons jogadores, como Neneca, Mazinho, Tatá, Jairzão, Zé Krol, Toquinho, João Batista, Edmar, Cícero, Zé Miguel, Carlos César, João Vitor, Robertinho, Luisinho, Mirandinha e Pirrela.

UM GRANDE ESTÁDIO PARA UM GRANDE TIME

Os contatos feitos por Fernando Agudo Romão, presidente do clube em 1974, possibilitaram ao LEC disputar o Campeonato brasileiro de 1976.

O Estádio do Café foi construído às pressas para colocar o Londrina no grupo de elite do futebol brasileiro. Foram feitas também grandes contratações. Scaff trouxe Armando Renganeschi para o posto de técnico e os jogadores Pontes, Arenghi, Paraná, Sérgio Américo, Carlos Alberto Garcia e Marco Antonio.

No dia da inauguração do Estádio do Café, em 22 de agosto de 1976, cerca de 50 mil pessoas assistiram ao jogo entre Londrina e Flamengo, que gerou uma renda recorde de Cr$ 857.720,00. Uma apresentação da Banda dos Fuzileiros Navais do Rio de Janeiro foi a grande atração preliminar.

Na bola, Londrina e Flamengo fizeram uma pela partida e coube ao jogador Paraná, do Londrina, cobrar um pênalti e marcar o primeiro gol do novo estádio. Junior, aquele mesmo da Seleção Brasileira, fez o gol de empate e definiu o placar em 1 a 1.

Três dias depois da inauguração oficial, o Estádio do Café viveu outra festa com a inauguração do seu sistema de iluminação. Jogaram Londrina e Corinthians Paulista. O time londrinense ganhou por 1 a 0, com gol de Carlos Alberto Garcia. Antes do jogo o espetáculo ficou por conta de um show pirotécnico. A renda arrecadada foi de 463.070,00 cruzeiros para um público de 22.181 pagantes.


1976

Londrina X Flamengo
Londrina X Flamengo na inauguração do estádio do café
Carlos Alberto Garcia
Carlos Alberto Garcia

A ESTRÉIA NO NACIONAL DE 1976

O Atlético Paranaense, tradicional adversário do Londrina em jogos do campeonato estadual, foi o primeiro adversário enfrentado em casa, na derrota por 3 a 0. Depois veio o São Paulo Futebol Clube, de Pedro Rocha e companhia, no empate em 0 a 0.

Na primeira viagem, o LEC encontrou outro estreante, o Confiança de Aracajú, e perdeu por 1 a 0. O próximo adversário foi o Cruzeiro de Belo Horizonte, no empate em 1 a 1. A primeira vitória veio somente na quinta rodada, quando o LEC bateu o Botafogo de Ribeirão Preto por 1 a 0.

Os três últimos jogos da fase de classificação foram disputados fora de casa. O LEC jogou contra o Coritiba e perdeu por 1 a 0, ganhou do Uberaba de 2 a 1 e empatou com a Portuguesa de Desportos em 1 a 1. Na segunda fase, no grupo dos perdedores, o Londrina perdeu para o Cruzeiro, por 1 a 0, Uberaba, por 2 a 1, e Portuguesa, por 3 a 1, e empatou com o Confiança, em 1 a 1.

Foi uma campanha que não atingiu a expectativa da grande torcida alviceleste. Mas a redenção veio no verão de 77/78 com uma temporada irrepreensível, que levou o Londrina a sonhar com a vaga na Taça Libertadores da América. A boa trajetória no estadual de 76 e a brilhante atuação no Nacional de 77, deram à história do Londrina um outro ídolo, Carlos Alberto Garcia.

Foi nesta época que o presidente Jacy Scaff investiu dinheiro na Escolinha e novos bons jogadores passaram a ser descobertos, principalmente, pelos olhos de Aliomar Mansano, o Ticão, e lapidados ainda como juvenis e juniores, para suprir a necessidade da equipe principal.

Pelo menos dois talentos nacionais surgiram no futebol profissional depois de pisarem no gramado do Estádio do Café. Everton, que foi destaque no Atlético Mineiro, e Marinho, vendido ao Flamengo, que chegou a Seleção Brasileira.

EM 77, QUARTO COLOCADO

Carlos Antonio Franchello voltou a presidência do Londrina com seus discursos antigos, mas trazia para a diretoria muitas caras novas, encarregadas da administração do único time profissional da cidade: Abílio Wolff Junior, Jair Poeiras Assunção, Luiz Antonio de Souza Castro, Ciro Xavier, Gaspar Novelli Filho, Aleckcey Kireef, João Luzia de Moraes, Mário Messias de Carvalho, Carlos Roberto Ciccillio, Sebastião Alves de Aguiar, Alexandre Wihbi, Ederaldo Soares, José Alves Padilha, Luiz Carlos Miguita, Osmar Sampaio, Wilson Campos, Plinio Montemor, Paulo Mendes Castelo Branco, Naim Libos, Alex Soares de Almeida, José Luiz Valeriano, Luiz Carlos Caraco, Luiz Martins e Rocco Scicchitano.

O treinador na época era o experiente argentino Armando Renganeschi. No time, Paulo Rogério, Arenghi, Dirceu, Carlos Alberto Garcia e Nenê, que já haviam participado da campanha anterior, se juntaram aos reforços vindos do futebol paulista, Carlos e Xaxá, e aos craques revelados por clubes da região, como Zé Roberto, Ademar e Brandão. Havia ainda dois juvenis, Everton e Nivaldo, que estavam "comendo a bola" nos treinos.

O LEC tinha uma grande equipe, que inusitadamente fracassou na primeira fase do Campeonato Nacional e ficou à beira da desclassificação na repescagem. Para conseguir ingresso na fase mais importante da competição, o time precisou buscar nas últimas rodadas quatro pontos em Goiânia, onde enfrentaria o Vila Nova e o Goiás. A tarefa parecia impossível e apenas o gerente administrativo do time, Ary Martha, acompanhou a equipe na empreitada.

Um gol de pênalti, sofrido por Everton e cobrado por Xaxá, garantiu a vitória sobre o Vila, mas ainda faltava o jogo contra o Goiás, adversário tido como o mais difícil. Logo aos quatro minutos, o ponta Zezé ganha uma jogada na esquerda e cruza na medida para Rinaldo desviar de Paulo Rogério, Goiás 1 a 0. O Londrina busca o empate e consegue. Xaxá cruza e Brandão confere 1 a 1. No segundo tempo, Nenê ganha de dois adversários e cruza. Garcia ajeita para Brandão marcar 2 a 1. A partir daí, o Londrina segurou o resultado e garantiu a vaga entre os grandes. O impossível aconteceu.

Mas o melhor ainda estava por vir. Incluído numa chave que tinha nada menos que Santos, Corinthians, Vasco da Gama, Flamengo e Caxias, o Londrina começou, em 29 de janeiro, sua escalada rumo às manchetes esportivas do país. O primeiro jogo disputado foi contra o Caxias, ganho por 2 a 0. O Flamengo, de Zico e Adílio, foi derrotado no Estádio do Café por 1 a 0. O próximo adversário foi o Santos, no Pacaembu. Londrina 2 a 1, com gols de Carlos Alberto Garcia e Nivaldo.

O Corinthians foi outro derrotado no Estádio do Café, pelo placar de 1 a 0. Depois viria o teste mais difícil, contra o Vasco. No lotado Estádio São Januário, o goleiro Mauro pega tudo. Mas Xaxá rouba uma bola no meio de campo, toca para Brandão que, com categoria, aproveita a saída do goleiro para fazer 1 a 0. E não foi só, Carlos Alberto Garcia aumenta para 2 a 0. O Londrina estava garantido no quadrangular final que decidiria o título brasileiro.

O jogo contra o Atlético Mineiro, no Mineirão, foi considerado o melhor jogo do Campeonato Brasileiro daquele ano. O Atlético construiu a vantagem de 2 a 0, mas o Londrina reagiu. Garcia fez o primeiro, Brandão fez o segundo. Porém, o Atlético tinha o artilheiro Reinaldo em tarde inspiradíssima, o que garantiu ao time adversário o placar de 4 a 2. O jogo de volta, no Estádio do Café, foi outra excelente partida. Londrina e Atlético empataram em 2 a 2, Brandão e Ademar fizeram os gols londrinenses. Terminava assim a campanha do Tubarão.


Time em 1977
Paulo Rogério, Carlos, Arenghi, Dirceu, Zé Roberto e Claudinho.
Xaxá, Garcia, Brandão, Ademar e Nenê
Everton comemorando o gol
Éverton, comemorando um gol na campanha de 77

A BOA CAMPANHA DE 1979

O Londrina parecia que iria repetir a façanha de 77. O time foi bem na primeira fase, conseguiu a classificação e partiu com tudo na segunda etapa do campeonato. Foi a Salvador e ganhou do Bahia por 1 a 0. Em Gama-DF, ganhou do time local por 2 a 0. No Estádio do Café goleou o Santa Cruz de Recife, numa das melhores atuações do time em todos os tempos. Depois veio uma discutida derrota para o XV de Piracicaba por 2 a 1. O embalo foi reconquistado no empate em 1 a 1 com o Flamengo e na goleada contra o Náutico por 4 a 2. Por fim, o Londrina perdeu em Porto Alegre uma nova classificação ao ser derrotado pelo Grêmio por 1 a 0. Entre 94 equipes, o LEC ficou com a 19ª colocação.

1980

VICE CAMPEÃO EM 80

No campeonato paranaense que contou com dois campeões, o Londrina conquistou a segunda posição. Por determinação da FPF, Cascavel e Colorado, que terminaram empatados no certame, foram proclamados campeões. Participando do quadrangular final, o Londrina foi vice. O Pinheiros foi terceiro.


torcedores
Torcedores do Londrina - 1980.
Alusão a image: Raising the Flag de Joe Rosenthal.
Foto de José Eugênio, Revista Placar.
estrela de prata
time 1980
Ramirez, Zé Roberto, Zequinha, Jorge, Zé Antonio,
Gilberto, Nivaldo, Claudinho, Tata, Everton e André

A TAÇA DE PRATA É NOSSA

Em 06 de outubro de 1979, Franchello perdeu a eleição e Durval Dias Ribeiro tomou posse da presidência do LEC. Na época, o técnico era o ex-jogador do Santos, Jair Bala, e com o seu comando o Londrina foi o primeiro campeão brasileiro da Segunda Divisão, em 1980.

Na conquista da Taça de Prata, o Tubarão disputou onze jogos na primeira fase, passando pelos adversários Atlético-PR, Criciúma, Brasil de Pelotas, Juventude, Juventus, Chapecoense, Grêmio Maringá, Sampaio Correia, Anapolina e Bonsucesso. Na semifinal, o time alviceleste venceu as duas partidas disputadas contra o Botafogo-SP, conquistando o placar de 2 a 1, em Ribeirão, e 1 a 0, no Café.

A grande decisão foi contra o CSA (Centro Esportivo Alagoano). Houve empate no primeiro jogo, em Maceió, no dia 11 de maio. Paulinho marcou para o Londrina e Dentinho para o CSA. O jogo final foi realizado no Café, 18 de maio, com atuação brilhante do time da casa, que goleou por 4 a 0.

Paulinho marcou duas vezes, Lívio e Zé Roberto fizeram os outros dois gols. Ao total, 36.489 pessoas compareceram ao jogo, o que garantiu a renda recorde de Cr$ 2.400.280,00.

Além do técnico Jair Bala, integravam a comissão técnica o preparador físico Dartagnan Pinto Guedes, o preparador de goleiros Zeferino Paquini, o médico Jair Furlan, o massagista José Carlos Venturini, o enfermeiro Adair e o roupeiro Bernardo.

O Londrina teve a seguinte formação: Jorge, Toquinho, Gilberto, Fernando e Zé Antonio; Wanderley (André), Everton e Lívio; Zé Dias (Zé Roberto), Paulinho e Nivaldo.

CAMPEÃO PARANAENSE DE 1981

No futebol, o espaço entre o aplauso e a vaia é muito curto. Campeão da Taça de Prata, o técnico Jair Bala caiu. O Londrina acabou contratando outro ex-jogador do Santos, da "era Pelé". Ubiratão Calvo Nunes foi quem levou o time ao título estadual de 62. O preparador físico agora era Bebeto. Na diretoria, poucas alterações. Ézio Ivan Secco, candidato da situação, foi eleito presidente e o departamento de futebol ganhou o reforço de Jacy Scaff.

O duro e sofrido jejum de títulos do campeonato Paranaense, que durou exatos 18 anos, sete meses e oito dias, afinal acabou no dia 29 de novembro de 1981. O Londrina, no estádio do Café tomado por 43.412 pagantes, derrotou o Grêmio Maringá por 2 a 1, e sagrou-se campeão com méritos.

Iniciado o jogo, com renda recorde no Estado de quase 10 milhões de cruzeiros, as gargantas roucas esperavam o momento de gritar a vitória. Não demorou. Logo aos 14 minutos, o ponta direita Zé Dias tocou para o artilheiro Paulinho que, na saída do goleiro, marcou o primeiro gol.

De súbito, porém, os corações alvicelestes gelaram de pavor. Numa escapada, o meia Silvinho decreta o empate. Os jogadores do Londrina se viram dominados pelo rígido esquema de marcação homem a homem que quase imobilizou o ponta esquerda Carlos Henrique, principal arma do LEC.

No segundo tempo, a indefinição durou até os 21 minutos. Aí, atendendo o pedido em coro da massa, o técnico Urubatão resolveu colocar o atacante Carlos Alberto Garcia, ainda um ídolo da torcida.

Passavam-se dez minutos e Carlos Henrique foi derrubado na esquerda. Ele próprio cobra a falta. A bola vem alta e, no meio de uma marulha de defensores do Maringá, quem mete a cabeça para fazer o gol da vitória e do campeonato? Carlos Alberto Garcia, o "Bem Amado", o "Beijinho".

Quando a partida acabou, milhares de felizes torcedores invadiram o gramado, de onde todos os jogadores fugiram assustados, exceto Paulinho, de quem tiraram camisa, chuteiras, meias, ataduras e calção, quase o obrigando a sair do campo pelado.


campeao 1981
Londrina Esporte Clube - Campeão Paranaense de 1981
Bombeiros carregam o time do LEC
Jogadore saindo em carro do Corpo de Bombeiros

JACY SCAFF FEZ O LONDRINA GRANDE

Muita gente deixou seu nome marcado na história do clube. Foram dirigentes como o grande e eterno presidente Carlos Antonio Franchello, jogadores como Gauchinho, Garcia e tantos outros. Mas um nome em especial esteve presente no grande momento do Tubarão, no final da década de 70 e início dos anos 80.

Jacy Scaff ingressou no futebol, após a união do Londrina com o Paraná, atendendo o convite de David dos Santos Filho. De 70 a 72 foi diretor de futebol, voltando à função em 74. No ano seguinte foi vice-presidente de Fernando Agudo Romão, assumindo a presidência no final do ano. Foi presidente no biênio 76/77, com o mérito de ter colocado o Londrina no Campeonato Nacional. Implantou uma nova mentalidade no clube com a contratação de grandes jogadores, a ampliação da sede campestre e a expansão social.

Voltou a ser diretor de futebol em 80/81 e retornou para a presidência na gestão de 82/83. Seu sonho sempre foi transformar o clube alviceleste no maior clube do Paraná. Jacy morreu em 86, deixando uma grande lacuna no meio esportivo paranaense.

REESTRUTURAÇÃO

Outro nome importante na história do Londrina na década de 80 é o do professor Cleber Tóffoli, presidente do Londrina por duas vezes, de 85 a 89. O primeiro mandato, ele cumpriu de forma interina, no segundo ano da administração de Murilo Zamboni. Na segunda vez assumindo a presidência, Cleber cumpriu apenas três anos, saindo para concorrer a um cargo político.

Seu melhor trabalho foi o de reestruturar a parte administrativa do clube, promovendo um controle do quadro de associados, o que até então não existia.

No futebol, deu força total ao jogador Júnior, que foi campeão estadual e base do time profissional nos anos seguintes. Também foi o responsável por passar o departamento amador para a administração de empresários, com direito a 50% nas vendas dos passes. Tóffoli trabalhou 10 anos pelo Londrina. Além de presidente, foi presidente e secretário do Conselho Deliberativo e vice-presidente do Departamento Amador.



OS ARTILHEIROS

O Londrina registrou em cinco oportunidade o artilheiro do Campeonato Paranaense. Quatro delas na década de 80.

- 1980, Everton com 20 gols
- 1981, Paulinho e Carlos Henrique com 13 gols
- 1986, Cláudio José com 15 gols
- 1987, Adalberto com 13 gols

1990

VGD, A CASA DO LONDRINA

A luta do Londrina para ficar com o estádio durou 30 anos. Começou em 60, quando os vereadores vetaram o projeto de doação em comodato e houve até "enterro simbólico" dos edis, organizado por dirigentes e torcedores.

Com a construção do Café, em 76, o VGD passou para segundo plano e o Londrina fortaleceu o movimento para ganhar o estádio. No dia 06 de setembro de 1990, o Prefeito Antonio Belinati sancionou a lei 4.312 e o estádio passou oficialmente para o Londrina. Sua diretoria, comandada por Dorival Pagani, promoveu reformas e o VGD ganhou um novo visual.



MENINOS DE OURO

Com um cuidado especial na formação de talentos no início da década de 90, o Londrina marcou na revelação de jogadores e na conquista de títulos importantes.

Júnior:
• 1990 - Vice-campeão da Copa Cidade de Londrina
• 1991 - Campeão da chave Norte, no Estadual
• 1992 - Campeão da Copa Cidade de Londrina e Vice-campeão Estadual
• 1993 - Campeão da Copa Cidade de Londrina e Campeão Estadual
• 1994 - 4º lugar na Taça São Paulo e Campeão da Cidade de Londrina

Juvenil:
• 1990 - Campeão da Copa Mandaguari
• 1991 - Campeão da Copa Mandaguari
• 1992 - Campeão da Copa Mandaguari e Campeão da Liga de Londrina
• 1993 - Campeão da Liga de Londrina, Vice-campeão da Taça Monte Alegre e Campeão da Taça Santiago
• 1994 - Campeão da Liga de Londrina e Campeão da Taça Monte Alegre
• 1995 - Campeão da Taça Monte Alegre, Campeão da Copa Cidade de Uberaba e da Liga de Londrina

Infantil:
• 1992 - Campeão do Torneio de Guaíra e Campeão da Taça Independência
• 1993 - Campeão da Liga de Londrina
• 1994 - Vice-campeão da Liga de Londrina
• 1995 - Vice-campeão da Liga de Londrina

Mirim:
• 1992 - Campeão da Copa Ametur, Campeão de Londrina e Campeão Regional
• 1993 - Campeão do Torneio Primavera, Campeão do Torneio de Guaíra e Campeão de Londrina
• 1994 - Campeão de Londrina

CAMPEÃO PARANAENSE DE 1992

A vitória por 1 a 0 na terceira partida com o União Bandeirante, garantiu o terceiro e mais difícil título paranaense da história do Londrina. A conquista de 1992, que se juntou às de 1962 e 1981, tornou o Tubarão o clube do interior que mais se aproxima dos clubes da capital.

A volta do Tubarão como time forte não é obra do acaso, mas sim de um mutirão pela vitória que envolveu a prefeitura da cidade e alguns empresários. O time recebeu um empurrão extra na fase final, que ultrapassou a casa dos 400 milhões de cruzeiros, e os resultados não tardaram a aparecer. O LEC devorou o Atlético-PR, com uma vitória por 3 a 2, uma derrota por 2 a 0 e um novo triunfo nos pênaltis por 4 a 3. O União Bandeirante era o último obstáculo na direção do título e trazia um tabu: o Londrina não vencia o rival há quase 7 anos.

Foram necessárias três partidas para a conquista, todas em Londrina, pois o estádio do União não atendia à exigência mínima de 15 mil lugares. Mas valeu a pena, com dois empates, por 0 a 0 e 2 a 2, e uma sofrida vitória de 1 a 0, o Tubarão fez de Londrina a capital do futebol do Paraná.

A campanha do Tubarão no Paranaense de 1992 contou com 30 jogos, 11 vitórias, 15 empates, quatro derrotas, 38 gols a favor e 24 contra. Tadeu e Cláudio José, com nove gols, foram os artilheiros do time.


campeao 1992
André Dias, Alexandre, Souza, Roberto, Amarildo e Marcio.
Aléssio, Marquinhos, Cláudio José, Tadeu e Celso Reis.
Falange Azul

TORCIDA FALANGE AZUL

A Torcida Falange Azul foi fundada em 05 de Fevereiro de 1992, pelos amigos Marcelo Aparecido Fuentes, Ronaldo Cezar, Rogério Batista e Ivoncley Sepe. Em 1997, o Londrina contava com apoio de três torcidas organizadas: a Sangue Azul, a Mancha Azul e a Falange Azul. Porém, como o Londrina não ia bem, as torcidas perderam seus adeptos e foi proposta a fusão entre elas.

O acordo não foi aceito pelos integrantes da Sangue Azul, mas resultou na união das outras duas torcidas. Ficou mantido o nome Falange Azul e diversas mudanças ocorreram em relação à torcida organizada, que continuou crescendo e apoiando o Londrina em todos os jogos, inclusive nos fora de casa. Com o desaparecimento natural da Sangue Azul, a Falange passou a ser a única torcida organizada do Londrina.

VICE-CAMPEÃO PARANAENSE EM 93 E 94

O Londrina por muito pouco não levantou o caneco do Campeonato Paranaense em duas outras oportunidades. Em 93, o time chegou ao quadrangular final tendo como adversários o Atlético, Paraná e Matsubara. Foram duas vitórias, dois empates e duas derrotas, deixando o LEC com o vice-campeonato. No ano seguinte, o Londrina enfrentou no quadrangular final o "trio de ferro”, alcançando os mesmos resultados do campeonato anterior.



COPA DO BRASIL

Com o título Paranaense de 1992, o LEC ganhou uma vaga para disputar a Copa do Brasil de 1993. A estreia do Tubarão na competição não decepcionou, ao todo foram seis jogos bem disputados.

Primeiro enfrentou o Operário de Campo Grande, com resultado favorável nos dois jogos, por 3 a 1 em Campo Grande e 2 a 0 em Londrina. Depois veio o Internacional de Porto Alegre, no empate em 1 a 1 no Estádio do Café. No segundo jogo, no Beira Rio, o Londrina surpreendeu todo mundo ganhando de 1 a 0, com gol de Alécio.

Na terceira fase, o time alviceleste enfrentou o Flamengo. O primeiro jogo foi no Maracanã e faltou um pouco mais de coragem ao Londrina, que perdeu por 1 a 0. No Estádio do Café, quase deu. O Londrina empatou, mas merecia ter vencido. Djalminha de falta marcou para o Flamengo e Alexandre, também de falta, empatou para o Londrina.

Como vice-campeão paranaense em 93 e 94, o Londrina sonhou com uma vaga na Copa do Brasil, mas não participou. Uma briga do presidente Onaireves Moura, da Federação Paranaense, com a CBF, tirou do Tubarão o direito de participação adquirido no campo.

NOVA ILUMINAÇÃO NO VGD

Em dezembro de 95 foi inaugurado os novos refletores do estádio Vitorino, substituindo o antigo sistema de iluminação quebrado devido à falta de manutenção.

Quando negociou os jogadores Alemão, Serginho Brasilia e Silvinho com o XV de Piracicaba, a direção do Londrina fez um acerto com a TAM, patrocinadora da equipe paulista, e conseguiu o novo sistema de iluminação.


Nuno Leal
Nuno Leal, ator e treinador

ELEIÇÃO AGITADA

A eleição realizada no final de 95 foi a mais movimentada da história do clube e também a recordista em número de votos, com 918 votantes. Mesmo com o clube passando por um péssimo momento financeiro, a eleição foi tão concorrida que teve juiz de direito na presidência do pleito e horário gratuito no rádio.

O Dr. Dimas Ortêncio de Melo, um dos juízes da Comarca, foi quem comandou a eleição. O horário das propagandas das chapas foi diário, concedido pela Rádio Paiquerê, para que os candidatos Marcelo Ângelo Caldarelli e Carlos Alberto Garcia pudessem falar de suas plataformas.

A eleição aconteceu no dia 10 de dezembro, data do aniversário da cidade, na sede da Av. Jorge Casoni. Marcelo Caldarelli, chapa "União Total", foi oposição ferrenha e queria a presidência a todo custo. Na eleição anterior ele havia sido eleito vice-presidente e fez um pacto com Iran Campos para assumir no segundo ano de gestão, o que não foi cumprido pelo presidente.

Carlos Alberto Garcia, um dos maiores ídolos da torcida londrinense, foi uma espécie de situação disfarçada. Sua chapa contou com o apoio de alguns empresários, mas sua campanha não foi tão forte como a do adversário.

No final, Marcelo Caldarelli tornou-se presidente com 517 votos, contra 383 de Garcia. A votação teve ainda 16 votos em branco e dois nulos. Antes mesmo de ser eleito, Caldarelli anunciou o ator Nuno Leal Maia como treinador e prometeu contratações de grandes jogadores famosos como o colombiano Higita e o atacante Casagrande.

A CRISE VEIO

Caldarelli não conseguiu terminar sua gestão. As muitas promessas de campanha não foram cumpridas e o clube passou por um dos mais difíceis períodos de sua história. Sem dinheiro para investimentos e apertado por muitas ações trabalhistas, o Londrina viveu crises que abalaram o time dentro de campo.

Na tentativa de chamar a atenção da imprensa, o presidente resolveu aderir um comportamento extravagante. Prometeu pagar prêmios por vitórias com bois de uma fazenda que nem era sua. Em um jogo disputado em Jandaia do Sul, ele se envolveu em brigas com a torcida e até disparou alguns tiros.

Polêmico e centralizador, Caldarelli teve poucos companheiros na diretoria e acabou renunciando em plena disputa do Campeonato Paranaense, depois de um acordo com o prefeito Antonio Belinati. Ao sair, ficou com o passe da maioria dos jogadores que eram do clube, como forma de recuperar o dinheiro aplicado no LEC.

Terminado o campeonato Paranaense de 96, o Londrina esperava o Brasileiro da série B, mas, em razão dos muitos problemas financeiros, Caldarelli anunciou que o time não teria condições de participar mesmo que isso custasse ao clube o rebaixamento.

Foi quando a cidade se mobilizou e surgiu a Sociedade dos Amigos do Londrina Esporte Clube (SAL), para marcar uma nova etapa na vida do clube. Criada em 15 de julho de 96, como associação civil sem fins lucrativos, a SAL assumiu o futebol profissional e, mesmo sem tempo necessário, conseguiu montar o time para disputar o campeonato nacional.

Formada por empresários de destaque da cidade, a associação teve como 1ª diretoria: presidente - Abílio Medeiros Júnior; vice - Raul Fulgêncio; 1º secretário - Cléber Toffoli; 2º secretário - Rodrigo Rodrigues Alves; 1º tesoureiro - Marcos Alexandre Domingues; 2º tesoureiro - Fernando Agudo Romão; conselho fiscal - João Milanez, Fábio Scaff e Célio Guergoleto; suplentes - Marco Antonio Ramondini, Aristides dos Santos e Dorival Pagani.

Depois de alguns tropeços no começo, o time se firmou e cumpriu uma boa campanha no Campeonato Brasileiro. Chegou ao quadrangular final e por pouco não subiu para o grupo de elite do futebol brasileiro.

Entretanto, no começo de 97, antes do Campeonato Paranaense, não houve acordo entre a SAL e a presidência do Londrina, e o futebol profissional voltou para o comando de Marcelo Caldarelli.



PARANAENSE DE 1997

Com pouco investimento, o Londrina de Caldarelli entrou no campeonato sem pretensões de brigar pelos primeiros postos. O que a torcida não esperava, entretanto, é que o time fosse ameaçado de rebaixamento. Depois de oito jogos e o forte risco de rebaixamento, a SAL voltou ao comando do clube, por indicação de Antonio Belinati. Caldarelli renunciou depois de um acordo com Belinati e com a AMETUR.

As mudanças foram profundas. Um novo time foi contratado, mas mesmo assim o LEC não conseguiu ficar entre os oito primeiros para disputar o título. Foi para o Torneio Extra, intitulado de Torneio da Morte, para disputar as quatro vagas de permanência na primeira divisão de 98. O Tubarão terminou o torneio em primeiro e se garantiu no grupo de elite. O técnico da reação foi Varley de Carvalho, o mesmo que deu ao Londrina o título paranaense em 92.

MAL NO PARANAENSE, BEM NO BRASILEIRO

A pífia campanha no estadual de 98 resultou no rebaixamento da equipe para a segunda divisão do estado. Felizmente, no ano seguinte, o Londrina conquistou o título da segunda divisão e conseguiu voltar a elite do estadual. O jogo da final, no Estádio do Café, foi contra a Portuguesa Londrinense e o time alviceleste venceu por 2 a 0.

Ainda em 98, o Tubarão fez uma bela campanha pela série B do brasileiro, chegou ao quadrangular final e ficou a apenas uma vitória da elite do nacional. Na última rodada, a classificação do quadrangular tinha o Gama-DF com sete pontos, Botafogo-SP e Desportiva-ES com seis pontos e o Londrina com cinco pontos.

O LEC enfrentou o Gama no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, precisando de uma vitória para ficar entre os grandes clubes do Brasil. Uma caravana londrinense se dirigiu até a capital do país. Entretanto, com uma atuação muito longe da que a equipe vinha apresentando, até hoje questionada por toda torcida azul-celeste, o LEC foi derrotado por 3 a 0 e o sonho da série A acabou.


1999

Em breve mais informações.


Bibliografia


  • Jornal o Panorama - Edição Especial, 25/08/1976
  • Jornal Paraná Norte - Edição Especial, 28/07/1986
  • Livro, Londrina Esporte Clube - 40 Anos - Do Caçula Gigante ao Tubarão, J. Mateus, 1996
  • Livro, Londrina Esporte Clube - Contado... Em Fatos e Fotos, Jefferson de Lima Sobrinho, 2005
  • Revista Placar, Nº 524, de 16/05/1980, Pg 82. Matéria de Isnard Cordeiro
  • Revista Placar, Nº 603, de 04/12/1981, Pg 10 - 12. Matéria de Isnard Cordeiro
  • Revista Placar, Edição dos Campeões de 1992, Pg 50.